
março 24, 2004
Tempo
Tempo de dor,
Tempo sem ti amor,
Tempo de ausência,
Tempo de impaciência..
Tempo. Sempre o tempo.
Essa forma que nos permite
Conhecer o prazer.
Conhecer a agrura.
Tempo rei.
Nós súbditos.
Tempo rei.
Tu e eu rebeldes.
Rebeldes no tempo.
Por mais que eu lute,
Por mais que eu tenha calma,
Ele vai lá estar sempre
Para nos julgar,
Para julgar Presente,
Passado e Futuro.
Tempo de acalmar,
Tempo de esperar,
Tempo de amar.

março 23, 2004
22 de Setembro de 1992

Face gelada
Olhar Cruel de quem
Um dia foi tudo para ti.
Culpa-te por isso.
Tempo-Espaço, condicionantes.
Abandono.
Tristeza.
Desilusão.
Morte.
Esse olhar cruel
Que um dia foi terno
Abandonou-te.
Vives num beco sem saída.
Morres todos os dias um pouco
Perdes a vida num suave suspiro.

março 14, 2004
Sim hoje estive bem longe,
Bem longe do meu mundo.
Estive com Ele.
Olhei fundo nos olhos dele.
Senti o seu corpo quente.
Os lábios macios e doces.
A delicadeza de quem tem
Um mundo novo, quando,
Bem lá no fundo da alma,
Soubesse muito bem que
Para mim Ele era o mundo.
O Meu Admirável Mundo Novo.

março 12, 2004
...Por quem amei

Já não luto por quem amei.
Vivemos tudo o que tinhamos
Para viver juntos.
Partilhamos alegrias, muitos
Casamentos (foram tantos!),
Lágrimas de dor, gritos de raiva,
Gemidos de prazer mas...
Foi numa outra vida qualquer.
Aquela que eu quis,
Tão desesperadamente
Manter contigo.
E que posso eu lutar
Por quem não me quis?
Ajudar quem me
Repeliu para tão longe.
Hoje estou em Paz.
Já caminho junto ao rio
Sem pensar em todas
As tuas promessas.
Já consigo olhar as
Fotos sem sentir rancor,
Ouvir aquela música
Sem sentir a lágrima.
Amei-te sim..
Até há tão pouco que
Parece que não
Aconteceu nesta vida.
O rio lavou minha alma.
Hoje só te posso dizer:
- Sou tão feliz com este
Tão pouco que tenho que
Corro montanhas e vales
Não fico fatigada.
Fui resgatada por um Anjo
Que devolveu a esperança
A quem já pensava
Nunca mais voltar a amar.
Por ele tudo vale a pena
Ele sempre me irá amar.

março 10, 2004
Este largo rio

Amo este largo rio.
Um dia quis perceber.
Tive que ver onde nascia
Tal amor que o levava
A desaguar no mar.
Aprendi que nada
Foi simples.
O amor do rio cresce
Desde o pequeno regato
Que luta entre os rochedos.
Ultrapassa todas as
Barreiras porque sabe
É o mar que o espera.
Mesmo assim desencaminha-se
Vê a rota cada vez mais longe.
Mas algo reclama nele:
- É o mar que persegues!
É pelo mar que corres e lutas.
Não vais ficar neste Lago.
Não é esse o teu destino.
As margens já não
O comprimem mais.
O rio atravessa montanhas.
Fez desabar bem fundo
Aquele rochedo que
Impedia sua trilha.
E assim foi…
Não parou de lutar
O lugar dele é no Mar

março 06, 2004
Não te percas mais!

Sou o teu farol,
O fim da tua noite perdida
Que faz desmoronar
Monstros Negros de Gelo.
A Luz que mata a bruma
Dessa gente que te faz
[perder o Norte
As Estrelas finalmente
Acedem à minha vontade lunar
De me acompanhar e reinar,
E iluminar o breu a que
A tua noite
Estava condenada.
Segue a Lua.
Vem

março 04, 2004
The Chosen One

Das profundezas
Do caos emergiu
O Ser Maior.
Nasceu da escuridão.
Cresceu na solidão.
Viveu na proscrição.
Ei-lo perante mim.
Cessem trevas tristes
Da mais dramática depressão!
Eis o meu Escolhido!
Eis aquele a quem
Os céus deram
O dom da descrença.
Ao Escolhido a razão,
A sabedoria,
A bondade
O meu amor
... e toda a minha devoção.

março 01, 2004
Destilo ódio

Odeio-te menininha armada em má,
Odeio-te ‘númerozinho’ vulgar,
Como só se podem odiar assassinos
Que arrancam bocados de almas e
Vangloriam o seu admirável crime.
Odeio-te porque deixas-te escorrer
Sangue de quem eu amo.
Foi usar, gostar do carinho e... ups!
Já não preciso saber de ti!
Vai sair caro esse teu crime.
As minhas garras vão dilacerar-te
E vais ver o teu sangue correr.
Não vão ser essas pequenas
Gotinhas exibicionistas
Que tanto gostas de mostrar,
Vai ser o mais puro homicídio.
E sabes porquê?
Porque mereces sofrer devagar.
Sozinha. Sem público.
Sem "Som. Luzes.Camera. Acção."
Vais ficar só tu, asquerosa
Nessa tua cidade pútrida.
E especialmente... sem Anjo.

fevereiro 28, 2004
Asas quebradas

Tenho frio amor,
Tombei quando
Ia descansar no teu peito…
Ergueu-se uma
Borrasca.. foi medonho
Eu acabei por cair.
Magoei-me e minhas
Asas quebraram.
Agora sou eu que
Chamo por ti.
Tenho frio.
Vem depressa.
Agasalha-me e
Sara-me
Com o teu beijo doce.
Vem ajudar-me
A erguer-me,
Pois as minhas
Asas quebradas
São finas e pesadas
Demais para eu
Conseguir voltar a voar

fevereiro 26, 2004
Só ele sabe como me agradar.
Só ele sabe o sorriso... o beijo.
Estrela do horizonte negro,
Só tu iluminas o meu rosto,
Só tu iluminas meus olhos.
Vem dar-me o teu
Peito aconchegante,
Vem voar comigo
Tua mão na minha
Assim não me vou perder.
Tu vais sempre trazer-me
De volta ao mundo
Só nosso, belo e doce
Como os teus olhos
Quando me admiras
Em silêncio, tão longe
E tão perto de mim e
Dos meus lábios quentes
Sedentos de ti.

fevereiro 21, 2004
A quem amar?
| Foi o lamento De angústia Que me invocou Era já ténue Sem alento Mas eu senti-o Era um anjo. O anjo chorava Por não ter quem amar Por não enxergar Onde rumar com Suas asas quebradas, Pelo desprezo e dor.. |
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fevereiro 18, 2004

Requiem a um amigo falecido
... sua vida era já diminuta. Já nada sabia senão obedecer às ordens, que seu coração pintava como pedidos. Trocou toda uma vida por uma miragem. Deixou de ter qualquer rasto de personalidade, ou carácter independente. Iniciativa era mera fantasia conceptual. Miserável nas suas 24 horas rotineiras, acabou por sucumbir à decrepitude. Na sua mais decadente senilidade era invadido por alucinações do canto negro da sereia, seu amor. Esperou pacientemente por ela. Uma manhã fria acordou sozinho como sempre fizera. Mas naquela madrugada de Inverno constatou olhando o seu cadáver pálido e gélido no espelho: Morri!

fevereiro 12, 2004
O Pesadelo da Predadora

Tive um pesadelo.
Caminhava ao longo
De um corredor sombrio
Havia uma lareira
(ou seria uma fogueira?)
Ao longe.
Estava embrulhada numa
Velha manta esburacada gelada
Caminhava trémula.
Inesperadamente surge
Um monstro negro
Verrugoso, asqueroso
De garras longas e proeminentes.
Fiquei estática.
Num salto ele crava
As garras pelo meu peito dentro.
Vi-o deliciado com o coração
Pequeno, sangrento, pulsante...
Devorou-o num ápice.
Ouvi o riso maléfico ecoar.
Nesse instante,
Vi meu peito fechar.
Eu estava viva... sem coração?
O ente negro percebeu
O meu receio e disse:
- Esquece a lógica e a racionalidade
que povoam a tua mente com dúvidas!
Agora és como todos os que
te rodeiam, uma predadora
sem coração!
- Mas...?
- Levanta-te daí, alimenta-te
e sobrevive, pois esse
é o teu destino, Predadora!

fevereiro 11, 2004
Cansada.. muito cansada

A Alma. Sangrenta de desilusão. Golpeada pelo desejo, pela tentação..
O dia aproxima-se. O tal dia em que todos são casal, e eu sou apenas
eu. Falta a minha metade. Aquela que já nem sinto de tão distante
que está.
O dia aproxima-se a passos largos.. E eu não quero ver esse dia. Esse
dia em que todos amam, todos são amados e eu...Só. Eu e o meu
desejo. Eu e o meu corpo abandonado.
O teu beijo, o teu cheiro,.. Longe cada vez mais longe. E eu.. cansada, cada
vez mais cansada de correr para não te ver, de falar para não
te ouvir, de cantar e meus males não espantar.

fevereiro 10, 2004
...de volta à noite solitária

Já não sabia como era dormir com alguém quando me deitaste
ao teu lado.
Já não reconhecia carinho quando tu me adormeceste no teu peito
quente.
O teu beijo na minha pele ainda em chamas..
Os teus braços fechados à minha volta..
Aquela noite contigo foi mágica.
Já não queria voltar ao reino de comum mortal para cristalizar
tudo o que foi doce naquela escuridão.
E tu sabias que o escuro me metia medo, mas o teu ardor, o meu desejo, a tua
volúpia anularam o medo por completo.
A minha tristeza é que tudo na minha existência dura apenas um
instante.
O instante suficiente para eu amar, desejar e saber que nunca voltará
a acontecer.

Fevereiro 09, 2004
Wish

Desejo macabro
O meu desejo forte e muito negro de te querer aqui para o meu prazer.
Um desejo de te deixar sangrar lentamente aos meus pés.
Por mais que me implorasses eu não ia parar.
Quero o teu sangue nas minhas mãos, na minha boca, a escorrer quente
pelo meu corpo.
Quero ouvir o grito do mais profundo do teu ser.
Quero o teu gozo de ver o meu êxtase com o teu sangue e com a tua vida
de mortal esvair-se a cada gota.
Vais querer ser como eu, ou um mero alimento?
